Demolição da Igreja de Matosinhos (foto de Afonso Nogueira)

 
A primitiva igreja de Matosinhos foi construída a partir dos idos de 1770. Em 19 de maio de 1774 já se achava erguido o templo em honra ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos, devoção originária da terra portuguesa e trazida pelos colonizadores. Durante aproximadamente 200 anos “campeou, qual linda garça, entre a verdura, a risonha capela do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, para onde afluíam romeiros e grande multidão de povo, por ocasião das Festas do Espírito Santo que se celebravam com toda magnificência, renovando-se algumas vezes, os costumes antigos de cavalhada, bailados e corridas de touros.” Altivo de Lemos Sette Câmara, eminente historiador, deixou escrito o seu testemunho de que em 1970 a igreja era sólida mas que, mesmo assim “a demolição entrou em ritmo diabólico de ‘time is money’. O frontão veio abaixo, amarrado por dois cabos de aço e puxado por dois tratores. A cruz de ferro, que permanecera inclinada muitos dias, cai não cai, veio abaixo com o frontão. Uma perfeita lição de barbárie, dada ‘de graça’ a uma população de 15.000 almas (ou corpos?)”. Altivo revelou que a portada foi vendida para um granfino de São Paulo depois de o bispo não honrar a promessa de que ela ficaria na cidade: “Chegou de São Paulo um caminhão e lá se foi a portada. E também um ornato de pedra sabão, que figurava um relógio e outras peças de pedra sabão que vi serem postas com um guindaste, no caminhão...” A Igreja era tombada (processo nº 68-38/SPHAN, com inscrição no Livro do Tombo das Belas Artes, Vol. 1, fls.2, data de 04 de março de 1938). Naquela época, os integrantes do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei formularam veementes protestos contra a demolição do templo, mas não foram ouvidos e a Igreja foi demolida pelo iconoclasta padre Jacinto Lovato; este ato passou para a história como um dos maiores crimes de todos os tempos contra o patrimônio são-joanense. "Não importa quais sejam os direitos de propriedade, a destruição de um prédio histórico e monumental não deve ser permitida a esses ignóbeis especuladores, cujo interesse os cega para a honra. Há duas coisas num edificio: seu uso e sua beleza. Seu uso pertence ao proprietário, sua beleza a todo o mundo; destruí-lo é, portanto, extrapolar o que é direito." (Victor Hugo).
 
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